sexta-feira, junho 21, 2002

A Dialética em nossas vidas

Olá pessoal, minha proposta inicial seria dissertar sobre política, tendo em vista uma grande variedade de questões tragicômicas em andamento como: a CPI nacional, que pelo jeito como tudo no Brasil, vai acabar mesmo em pizza, as privatizações de Furnas e Petrobrás que para não perder o costume irão ser doados ao capital estrangeiro, para piorar há ainda a “Cavalaridade” na Argentina que vai acabar de vez com o “pseudo” Mercosul.
Sendo assim, ao invés de cair ao campo de Murphy, Schopenhauer e expor ainda mais nosso pessimismo preferi fazer uma análise epistemológica, uma reflexão sobre como refletimos.
Para dar seguimento tomarei como exemplo a belíssima aula inaugural do professor, cujo nome não me recordo, pai do picareta Luciano Huck, que palestrou sobre a globalização sob um aspecto, que ao meu ver, é de maior relevância possível. O ponto era: não adianta ser contra ou ser a favor da globalização, pois a globalização é um fato, sendo assim nos resta apenas pensar em alternativas viáveis para ela.
Para muito de vocês, caros leitores, isso parece óbvio e realmente o é, mas curiosamente na prática não funciona. Quantas e quantas vezes não vimos protestos de estudantes, P.A.s e afins carregando cartazes com dizeres “Abaixo a globalização”, “Fora F.H.C.”.
Ora essa, sabemos muito bem que com o encurtamento das distâncias e com a competitividade das empresas, a globalização seria uma mera fase do capitalismo, o capitalismo que o mundo escolheu ao quererem comprar seus perfumes “CK ONE”, seus ternos “Armani”, seus vestidos “Versace”, comer um “Mac” e tomar uma “Coca”.
E mesmo o nosso bunda mole F.H.C., honoris causa de traidor em Sobornne, se não fosse ele, seria diferente? Eu poderia gastar mais uma folha explicitando o porquê da nossa máquina governamental ser tão podre (isso graças a aula de sociologia a que assisti no segundo ano). Só para ter uma idéia, nosso senado é composto por 74% de representantes do N, NE e CO, ou seja, da nossa elite agrária e arcaica que odeia o PT, o MST e tudo mais que tenha “T” de terra ou de trabalhador. Sem falar na nossa mídia, VEJA, Estadão, Globo, que não são mais meramente veículos de comunicação, e sim, construtores (ou deturpadores) de realidades, aliás, vocês já devem ter estudado isso a exaustão.
A conclusão que eu quis chegar com todo esse bla, bla, bla é de que não podemos enxergar as coisas com essa visão imediatista e limitada que ás vezes temos, todos os fatos são resultantes de uma complexa universalidade de relações que não conseguimos enxergar com os olhos, podemos apenas entende-la com a razão. Assim como a colher, exemplo dado na aula do professor Alaôr, representa muito mais do que apenas um pedaço de ferro retorcido. Aliás um dos nossos grandes defeitos é acharmos que somos os donos da verdade e que temos as respostas para tudo, já dizia o filósofo Sócrates “O mais sábio é aquele que sabe que não sabe”.
Nós alunos da USP, temos o dever e a capacidade de termos um raciocino crítico que vá além do imediato, temos que aprender a aplicar a dialética em nossas vidas para não só enxergar além como viver além desse nosso mundo fenomênico.
Para finalizar deixarei um pensamento de Nietzsche (em homenagem a alguns fãs dele), que diz tudo (é claro, se você não o interpretar com uma visão pessimista).
“São estes os caminhos traçados para o homem: se desejas a paz da alma e a felicidade, crê; se pretendes ser um discípulo da verdade, investiga.”

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