A AMÉRICA LATINA FRENTE AO NOVO SISTEMA INTERNACIONAL
1. Panorama da América Latina no Final do Século XX
O sistema internacional se reordenou na década de 90 de modo distinto dos prognósticos que se produziram ao final dos anos 70. Àquela época, a constatação do declínio da hegemonia dos EUA e do rápido crescimento econômico da Europa Ocidental e do Japão sugeria a existência de oportunidades novas para os países do “ Terceiro Mundo” e mais especificamente para os países periféricos com altas taxas de crescimento industrial, os chamados NICs (“Newly Industrialized Countries” ).
A identificação genérica de interesses comuns ao “Terceiro Mundo” produziu iniciativas políticas importantes, especialmente no âmbito das Nações Unidas, que se consubstanciaram na proposta de criação de uma “nova ordem econômica internacional” , mediante um processo de diálogo Norte-Sul. Típica afirmação da época “tudo leva a crer que no decênio dos 80 o Terceiro Mundo emergirá como ator de peso nas instâncias decisórias que de uma ou de outra forma assumirão responsabilidades crescentes na ordenação internacional”.1
Àquela altura, o crescimento capitalista diferenciado parecia abrir para os países latino-americanos mais desenvolvidos a possibilidade de novas parcerias políticas e econômicas que superassem sua tradicional dependência à área do dólar. Desde o primeiro choque do petróleo em 1973, a facilidade de acesso ao mercado financeiro internacional permitiu que os desequilíbrios das contas externas fossem resolvidas via endividamento. O modelo do crescimento pelo endividamento mostrou-se, porém, vulnerável à crise da década de 80, com a queda brusca do crescimento mundial, e da reação neoprotecionista por parte de países do Primeiro Mundo (como a promulgação unilateral do Trade and Tariff Act, promovido pelo governo Reagan, que consistia de cunho próprio definir as condições do “comércio justo”, além de, retaliar aqueles que adotassem “práticas desleais” de comércio) e rompimentos das regras que presidiam a relação dos países devedores ao sistema financeiro internacional. Os efeitos perversos dessa situação sobre a estrutura social e suas pressões sobre os sistema político têm sido objeto de reflexões de economistas e cientistas sociais brasileiros (Weffort, 1990, apud Vizentini 1992).
O resultado é que o “Terceiro Mundo” , por natureza um aglomerado heterogêneo, apresenta-se hoje claramente dividido, sem uma agenda clara e realista de reivindicações e sem uma estratégia definida de ação. Dentro desse quadro, a paisagem latino-americana na passagem do final de século é a da crise generalizada, da estagnação, da obsolescência industrial e da perda de competitividade.
No plano político, tratar-se-ia, segundo Celso Lafer, de uma crise de identidade: a América Latina não sabe mais qual é o seu papel no sistema internacional.2
1. Panorama da América Latina no Final do Século XX
O sistema internacional se reordenou na década de 90 de modo distinto dos prognósticos que se produziram ao final dos anos 70. Àquela época, a constatação do declínio da hegemonia dos EUA e do rápido crescimento econômico da Europa Ocidental e do Japão sugeria a existência de oportunidades novas para os países do “ Terceiro Mundo” e mais especificamente para os países periféricos com altas taxas de crescimento industrial, os chamados NICs (“Newly Industrialized Countries” ).
A identificação genérica de interesses comuns ao “Terceiro Mundo” produziu iniciativas políticas importantes, especialmente no âmbito das Nações Unidas, que se consubstanciaram na proposta de criação de uma “nova ordem econômica internacional” , mediante um processo de diálogo Norte-Sul. Típica afirmação da época “tudo leva a crer que no decênio dos 80 o Terceiro Mundo emergirá como ator de peso nas instâncias decisórias que de uma ou de outra forma assumirão responsabilidades crescentes na ordenação internacional”.1
Àquela altura, o crescimento capitalista diferenciado parecia abrir para os países latino-americanos mais desenvolvidos a possibilidade de novas parcerias políticas e econômicas que superassem sua tradicional dependência à área do dólar. Desde o primeiro choque do petróleo em 1973, a facilidade de acesso ao mercado financeiro internacional permitiu que os desequilíbrios das contas externas fossem resolvidas via endividamento. O modelo do crescimento pelo endividamento mostrou-se, porém, vulnerável à crise da década de 80, com a queda brusca do crescimento mundial, e da reação neoprotecionista por parte de países do Primeiro Mundo (como a promulgação unilateral do Trade and Tariff Act, promovido pelo governo Reagan, que consistia de cunho próprio definir as condições do “comércio justo”, além de, retaliar aqueles que adotassem “práticas desleais” de comércio) e rompimentos das regras que presidiam a relação dos países devedores ao sistema financeiro internacional. Os efeitos perversos dessa situação sobre a estrutura social e suas pressões sobre os sistema político têm sido objeto de reflexões de economistas e cientistas sociais brasileiros (Weffort, 1990, apud Vizentini 1992).
O resultado é que o “Terceiro Mundo” , por natureza um aglomerado heterogêneo, apresenta-se hoje claramente dividido, sem uma agenda clara e realista de reivindicações e sem uma estratégia definida de ação. Dentro desse quadro, a paisagem latino-americana na passagem do final de século é a da crise generalizada, da estagnação, da obsolescência industrial e da perda de competitividade.
No plano político, tratar-se-ia, segundo Celso Lafer, de uma crise de identidade: a América Latina não sabe mais qual é o seu papel no sistema internacional.2

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