sexta-feira, dezembro 06, 2002

Sei que nada sei além de saber que nada sei.

E sei que a humanidade sabe menos ainda pq acha que sabe o que não sabe!


É minha mesmo... dificilmente eu cito outra pessoa. Odeio muitas citações, isso aqui não é uma monografia em que vc não expõe suas idéias.
Nossa 2002 já acabou. Muito, muito rápido.

Hoje foi o dia das despedidas oficiais. Agora é í í í 3o. NI !!!
o infinito de pé 8

quinta-feira, dezembro 05, 2002

Meu texto fica mais interessante se lido com the scientist ao fundo.
Sabe como é né... fica mais dramático. Pq essa música é foda!
Ouvindo:
The Scientist - coldplay
Electric Storm - u2
When you´re on top - wallflowers
Stars - cranberries
Meu primeiro beijo era p/ ser único. Debaixo de uma chuva sem fim, eu e a pessoa amada e sem o resto do mundo inteiro.

Foi sentando no fundo de uma festa, com uma pessoa que eu nem conhecia e ainda por cima que devia ter comido algum doce pq sua língua estava esquisitamente doce e p/ piorar ela não sabia beijar direito e mais babava do que qualquer outra coisa.

Meu primeiro namoro era p/ ser com uma garota doce e meiga e iríamos passar as tardes deitados debaixo de uma grande árvore num lindo campo.

Teve meu primeiro namoro com a Paula aos 8 anos, mas isso não conta pq nem sequer nos beijamos. Ou seja, meu primeiro namoro de verdade acabou sendo num estado de carência com uma pessoa burra, vazia, sem papo nenhum, sem afinidades alguma, super ciumenta que não deixava eu em paz com meus amigos e minhas amigas e que perdeu a virgindade com o primeiro que se propôs a comer, ou seja, sem comentários.

Quando eu era bem pequeno mesmo, talvez eu achasse que iria casar virgem.... mas isso era bemmmm pequeno mesmo. Mesmo assim ainda pequeno eu pensava que pelo menos ía ser com uma garota virgem tb e que eu amasse.

Não foi, foi com uma garota 5 anos mais velha e que ía se casar na semana seguinte com um cara uns 20 anos mais velho.
Bom talvez tenha sido o melhorzinho, primeiro pq ela foi uma das mulheres mais lindas na minha vida... e gostosona e pq conversamos por horas antes de rolar... e ela era muito inteligente e amável, mas foi aí que eu percebi o qto ela tb tinha corrompido seus sonhos.
Eu: Vc o ama?
Ela: Ah ele é bonzinho e amável (e rico p/ KCT!!!! AHAHAHAHA )

Eu tb sonhava muito que lá pelos 20 anos eu ía comecer minha carreira de músico, já ía ter uma banda famosa etc. Hj isso virou um mero hobby e minha carreira vai ser no direito mesmo.

É isso aí... agora só falta corromper a razão mór da minha vida. Que é passar o resto da minha vida com alguém que eu ame profundamente, que se preciso eu vá até Hades buscá-la. Mas pelo jeito vai ser com alguém legal, que eu goste bastante e me acostume com o seu jeito. Mas eu nunca irei saber tb quem será essa pessoa, já que eu ainda não descobri o que é o amor e se essas merdices de filmes, de romances shakespeareanos são assim pq se mata a personagem no ápice ou se afunda o idiota junto com o Titanic. Talvez a realidade dos fatos seja uma outra realidade.
Eu sei que a vida é assim mesmo. Uma corrupção dos sonhos, de nossas expectativas.
Como o Filipe falou, nos corrompemos sempre, todos se corrompem.
Talvez eu seja romântico demais, admito, acreditava em todas essas merdices. Sempre, desde pequeno. Aliás, qndo pequeno pq hj já me corrompi tanto que não sei mais.
Contos de fadas existem?
Não sei se destruí essa crença em mais uma pessoa, talvez. Espero do fundo do meu coração que não. Que ela continue acreditando em príncipes encantados. O destino não quis que fosse eu, pelo menos agora.
Eu sei que suas palavras irão ecoar para sempre em meu inconsciente:
"Tem pessoas que tem tudo e não sabem"
Segunda o mundo desabou. Uma tempestade se formara em meus olhos, e todo dilúvio veio à tona.
Lágrimas como a muito tempo não as tinha desaguaram.

Eu preciso de paz, dormir um pouco, estudar muito, fechar este semestre bem, e não deixar nada a perder p/ simplesmente partir.
IX

quarta-feira, dezembro 04, 2002

Ontem tive uma insônia como há muito tempo não a tinha.
Fui dormir as 5 da matina.

Eu já disse anteriormente que aqueles momentos antes de dormir são os momentos em que tenho várias idéias legais.
Ontem ou hj, pensei muito em Guimarães Rosa e de como as palavras são incapazes de dizer tudo.

É preciso romper com tudo, ir além, e criar sua próprias palavras Pensei numa forma melhor de dizer isso:

"Palaversar sobre o mundo requer muita mais do que simples vontade. É necessário uma capacidade empiricosentiracional. Não apenas ver, tocar, cheirar, ouvir, degustar, pressentir, mas também, ler, viver, sofrer, amar, sonhar, ir, sorrir, transpôr, compôr em todos os verbosar, verboser, verbosir, verbosor. Em toda sua racionalização, sentimentalização, logicionalização, complexação de todo nosso euser e só assim exteriomostrarevelaremos nossa personalma."
Contagem regressiva:

10

segunda-feira, dezembro 02, 2002

O céu está carregado. Sinto que ele tem algo a dizer. Daqui a pouco seus prantos irão escorrer, seu corpo irá descer e se chocar entre os prédios e pedacinhos seus irão ficar nos vidros dos apartamentos.

A noite sobe e as estrelas todas caem. Mais um milagre do mundo.

Gostaria de me perder entre o mundo e o meu.

Vou sair por aí até o amanhecer
Vamos ir por aí até o anoitecer
Sinto que é preciso ter inteligência p/ se amar. É preciso entender o que é o amor, pq a cada situação ela se exprime de maneiras diferentes.
Ás vezes o amor é perder.

Sempre que eu sofri por alguém, que chorei por um amor em vão, o sofrimento me aliviava. As lágrimas apenas nos dizia que estávamos vivos, que vivíamos.
Agora sofrer por estar causando sofrimento ao outro, este não nos diz que estamos vivos. Nos entope, nos impede de chorar, e nos corróis por dentro. Isso não nos diz que somos humanos, que vivemos e sim apenas que somos cegos e não vemos.

Preciso de paz e de um silêncio tão profundo que qualquer pensamento me ensurdeceria. Mas a minha mente não para de gritar, de falar, de chorar, de pensar.

Palavras demais, palavras de menos, apenas, palavras que não deveriam ser criadas.
A Bia foi um desses meus vultos do passado que me deu um dos meus melhores momentos na vida. Uma noite que nunca se apagou.
Éramos muito novos, não sei porque tenho a impressão de que tinha 3 anos à época, mas pelo nível de ciência e pelas minhas lembranças devia ter um pouco mais. Uns 5 ou 6.
Ela morava na terceira casa a minha esquerda, chamava-se Beatriz. Não consigo lembrar concretamente de seus traços, mas tenho a impressão de que ela tinha os cabelos cacheados. Uma das outras únicas lembraças que tenho dela é de que um dia no banheiro dos meus pais ela quis brincar de médico. Eu não sabia como era essa brincadeira, foi ela quem me conduziu, mas bem na hora dos exames a mãe dela bateu a porta do banheiro. Só lembro que saí correndo envergonhando enquanto ouvia ecoar a sua mãe ouvindo suas explicações.

Mas a noite ocorreu em seu aniversário. Não lembro quantos anos fazia. A única coisa de que lembro é que no meio da festa, com todos os seus parentes e convidados ela quis fugir. Me puxou pelo braço e fomos até minha casa. A casa estava vazia já que todos estavam no aniversário dela tb.
Havia um grande pé de manga no meu quintal, e meu pai tinha feito um balanço p/ mim em um de seus braços. Ela adorava aquele balanço e naquela noite ela me pediu p/ eu a balançar. Ficamos ali no silêncio da noite, uma lua nos iluminava, eu e ela debaixo do pé de manga. Tem momentos em que as palavras não representam nada, apenas os fatos falam por si mesmos.
Existe uma linha muito tênue entre o prazer e a dor.

É possível amar sem sofrer?