O conto que abre o livro é também o mais comentado pelos resenhistas (por ser o primeiro dos quatorze, terá sido o único - em muitos casos, é o que parece- lido?). Seu título é "Copromancia" - traduzindo, exercício de adivinhação com fezes. É que o protagonista, intrigado com o fato de o ser humano "transformar em merda tudo o que come", como uma espécie de Midas invertido que faz do ouro fezes, resolve se ater ao estudo dos resíduos fecais. Há algo de podre no reino do ser humano - se fosse Shakespeare, diria que há mais mistérios entre a merda e o homem do que pode supor a nossa vã filosofia.
É nesse desvão de telhado, ou nesse vão de privada, que investe o protagonista, espécie de "filósofo da bosta".
O célebre "conhece-te a ti mesmo" parece transformado na máxima "somos o que defecamos" (em resposta à dúvida hamletiana, não ser é não defecar). O segredo de nossos mistérios perdido num emaranhado de excrementos - tantas preces, e nossos tormentos estão nas fezes... De certa forma, muito estranho e muito normal: só tem contratempo quem vive, só tem futuro quem caga - quem não defeca já era. "Anita ficara feliz ao contemplar as minhas fezes e ao mostrar-me as suas se sentira mais feliz"- amar é cagar de porta aberta. Fezes - sinal humano, demasiado humano, de que o pulso ainda pulsa.
Se o livro viesse acompanhado de uma trilha, o carro-chefe talvez fosse Rita Lee: "Querida, vamos chupar ferida?/ Ferida não me seduz, prefiro um copo de pus./ Amor, vamos lamber tumor?/ Tumor me causa pigarro, que tal um chá de catarro?/ Catarro só na caneca, prefiro chupar meleca./ Remelas me dão acidez./ Já sei: vamos cantar tudo outra vez!". Amar, na tristeza e na alegria, na doença e na saúde... Amar...
E cagaram felizes para sempre...
É nesse desvão de telhado, ou nesse vão de privada, que investe o protagonista, espécie de "filósofo da bosta".
O célebre "conhece-te a ti mesmo" parece transformado na máxima "somos o que defecamos" (em resposta à dúvida hamletiana, não ser é não defecar). O segredo de nossos mistérios perdido num emaranhado de excrementos - tantas preces, e nossos tormentos estão nas fezes... De certa forma, muito estranho e muito normal: só tem contratempo quem vive, só tem futuro quem caga - quem não defeca já era. "Anita ficara feliz ao contemplar as minhas fezes e ao mostrar-me as suas se sentira mais feliz"- amar é cagar de porta aberta. Fezes - sinal humano, demasiado humano, de que o pulso ainda pulsa.
Se o livro viesse acompanhado de uma trilha, o carro-chefe talvez fosse Rita Lee: "Querida, vamos chupar ferida?/ Ferida não me seduz, prefiro um copo de pus./ Amor, vamos lamber tumor?/ Tumor me causa pigarro, que tal um chá de catarro?/ Catarro só na caneca, prefiro chupar meleca./ Remelas me dão acidez./ Já sei: vamos cantar tudo outra vez!". Amar, na tristeza e na alegria, na doença e na saúde... Amar...
E cagaram felizes para sempre...

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