quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Guardanapo 3

Quem eu era? Quem eu era? Quem eu era? Ou melhor no que tinha me tornado?

Ali, agora, diante de quem dizia me amar me pedindo para me esquecer de quem eu era. Como uma criança que derrubara o pirulito e agora esperneava, chorava, pedindo ou melhor exigindo que eu negasse minha existência, que eu diexasse de existir para me tornar seu, só seu, seu brinquedo, seu escravo ou sei lá o que seu, que me possuísse. Como uma criança que possui a mãe, não o contrário.

A dependência é que quem sabe o que é o amor e o poder de quem sabe conseguir o que quer.

E eu não sabia conseguir o que queria.

Apenas relutava um pouco no meu "aprendizado" do relacionamento. Começava a reconhecer seus comandos e já não relutava em dar as respostas esperadas, já não tinha o brilho selvagem dos olhos, o sorriso inocente do amanhecer, tinha medo, não sei do que, de tudo talvez, de mim principalmente.

E aos poucos ía descobrindo que o amor não estava nas histórias da minha infância, que o "viveram felizes para sempre" era apenas o começo de um trama muito mais difícil do que até ali narrado, de que o amor podia ser tanto a esperada estrada para o então "viveram felizes para sempre" quanto para o nunca narrado "e viveram infelizes para sempre".

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