sábado, fevereiro 28, 2004



A Sofia Coppola disse que o filme... "traz aqueles momentos em que você tem dias especiais com alguém que você não esperaria. Depois você tem que voltar para sua vida real, mas isso deixa uma marca em você".

Todo mundo tem esses momentos e eles são realmente especiais. Às vezes, só de ver alguém em um blog, uma autora de um livro, uma compositora, ou mesmo até a própria atriz do filme eu sinto uma vontade imensa de ter um minutinho apenas com ela.
Um abraço e um beijo longo o suficiente p/ ser eterno.



Com relação a Scarlett Johansson o alívio foi procurar fotos dela e achar apenas fotos em que estava totalmente produzida, parecendo uma Barbie.
Então fiquei aliviado por saber que ela não era tão perfeita qnto no filme. Uma mulher do dia-dia, imperfeita, mas perfeita por ser real.
Sobre o filme

Lost in translation
(Encontros e Desencontros)

No começo eu não tinha gostado muito do título em português. Pensara: pq desencontros? Só há encontros no filmes.

Mas depois refletindo. Achei os dois títulos perfeitos.
O em inglês é mais abrangente. Fala de estar perdido no mundo. Do fuso (jetlag), do lugar, das vidas enfim de tudo, perdido entre a translação da Terra.

E o em português é mais específico. Os encontros entre os dois e ao mesmo tempo seus desencontros perante a vida.

Um filme perfeito p/ mim.

Eu amei tudo. A fotografia. Os atores. O tema. O clima principalmente, me lembrou muito um filme chamado In the mood of love.
Achei bem interessante essa atmosfera romântica sem o propriamente dito, apenas o clima. Poderia mto bem se chamar in the mood of love tb.

E o Japão continua lindo. E o que eu mais adoro nele tb. Esses extremos. A paz de Kioto e as luzes de Tóquio.
Um país perdido entre seu valores, entre o oriente e o ocidente, entre o antigo e o moderno, um bom lugar onde me sinto a vontade. Onde ninguém precisa ser encontrado.

E a trilha sonora do filme, simplesmente magnífica. Um crítico dissera que era a melhor desde pulp fiction.
Eu simplesmente ainda não a tirei da mente.
(music: Air - Alone in Kioto)

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Guardanapo number 4 and 5

De repente, eu vejo o céu explodindo em partes, ora azuis, ora brancas, ora de todas essas corzinhas fundindo-se com as asas de passarinhos que estão a refletir-se sobre o branco da espuma, o movimento das massas, a pulsação da terra, o vai-e-vem infinito a ondar e ondar e ondar fazendo estrondos um pouco menos denso que o branco reluzente dos céus, apenas o som de pancadas duras e secas sobre as pedras e sob as pedras que com sua força a fazia virar milhares de partizinhas de si mesma. Era vivo, tão vivo que dava medo, aquele gigante se movendo e esbravejando, tentando socar violenta e initerruptamente seus opressores, pois dizia seus olhos que queria ser livre, era sua natureza, nada poderia detê-lo, tinha uma alma e um espírito tão grande que eu me sentia pequeno bem pequenininho bem inhozinho.

5

Quem sou eu e onde estou?
Só sei que estou duplamente triste, por estar triste e n ã o conseguir estar triste, por estar triste e não conseguir parecer triste, por estar triste e não conseguir entristecer, apenas uma tristeza entristecida, sem vida, sem beleza, uma tristeza triste. Como uma vida sem vida, uma vida não vivida, um sonho sem sonhos, um corpo sem alma e espírito, inquieto a por fim a algo que nunca começou.
Guardanapo 3

Quem eu era? Quem eu era? Quem eu era? Ou melhor no que tinha me tornado?

Ali, agora, diante de quem dizia me amar me pedindo para me esquecer de quem eu era. Como uma criança que derrubara o pirulito e agora esperneava, chorava, pedindo ou melhor exigindo que eu negasse minha existência, que eu diexasse de existir para me tornar seu, só seu, seu brinquedo, seu escravo ou sei lá o que seu, que me possuísse. Como uma criança que possui a mãe, não o contrário.

A dependência é que quem sabe o que é o amor e o poder de quem sabe conseguir o que quer.

E eu não sabia conseguir o que queria.

Apenas relutava um pouco no meu "aprendizado" do relacionamento. Começava a reconhecer seus comandos e já não relutava em dar as respostas esperadas, já não tinha o brilho selvagem dos olhos, o sorriso inocente do amanhecer, tinha medo, não sei do que, de tudo talvez, de mim principalmente.

E aos poucos ía descobrindo que o amor não estava nas histórias da minha infância, que o "viveram felizes para sempre" era apenas o começo de um trama muito mais difícil do que até ali narrado, de que o amor podia ser tanto a esperada estrada para o então "viveram felizes para sempre" quanto para o nunca narrado "e viveram infelizes para sempre".
Guardanapo 2

Quando a gente sabe que acabou?
Tudo tem que acabar só quando estiver acabado?
E quando tem-se a certeza que não se pode prosseguir, quando o xeque-mate decorre da impossibilidade de movimento do rei. Tudo não acaba?
O que esperamos, um milagre?
A espera, a esperança, a fé nos diz que algo pode acontecer. E porque acreditar?
Não devíamos acreditar em n oss a r azã o antes de tudo?
Se ela diz que as possibilidades acabaram, é porque acabaram. Temos que ver o resultado até o fim? E onde isso termina?
Guardanapo 1

Eu tinha todas as respostas e ao mesmo tempo nenhuma, sabia tantas respostas que todas se anulavam, estava perdido porque tudo é certo e errado ao mesmo tempo, nenhuma escolha levava a vitória, apenas a um outro estágio, não existe essa de felicidade, apenas de ficar feliz, mas a tristeza é que é o estado natural das coisas ou a não vida, o esquecer de si, a inércia do movimento, o caminhar vagaroso e sequente, a Maria vai com as outras. Somos todos Marias. Não saberíamos não o ser. Como viver sem seguir? Não há resolução de exercício sem exemplos, até há, mas é algo moroso, árduo, oneroso e sem promessas de realização, um risco de trabalho em vão. O resultado é o mesmo, a diferença esta no caminho, no movimento, mas quem se importa com isso?
No começo do ano eu tinha escrito uma série de pensamentos em alguns guardanapos.

Irei transpô-los. agora

terça-feira, fevereiro 24, 2004

As grandes coisas são meras coadjuvantes das pequenas.

Não a balada cara que vai fazer sua noite e sim as pessoas que ali estão o fazem sorrir. Não é a viagem ultra xique que vc faz e sim as pessoas, os lugares que fazem vc enxergar a vida com menos preconceito e com mais clareza.
Para mim. Tudo depende de mim. De como eu quero ver, de eu querer sorrir, de eu querer levantar a cabeça e olhar o céu e de eu receber tudo como se fosse uma experiêcia nova. Na verdade tudo é uma experiência nova, como diria Parmênides: Não se entra no mesmo rio duas vezes.
As pessoas tem tudo mas não sabem.
Grande desperdício.
As pequenas coisas é que marcam nossas vidas.

Não as grandes, as mais caras, as exageradas. As mais simples é que fazem toda a diferença.
Ontem me senti tão bem. Depois de um dia inteiro com pessoas que vc gosta, pulando sem parar e rindo. E vendo todas as pessoas ali felizes.
E depois voltar pela estrada dirindo sozinho e tocando músicas super legais numa rádio qualquer.
Tudo faz vc sorrir e querer viver.
É tão bom escrever.
Era quase escravidão, mas ela me tratava como um rei.
Ela fazia muitos planos. Eu só queria estar ali.
Sempre ao lado dela, eu não tinha onde ir.
Mas egoísta que eu sou, me esqueci de ajudar. A ela como ela me ajudou e não quis me separar.
Me apaixonei hoje por uma mulher e por um país. O país eu sempre fui apaixonado por. A mulher eu a vi hoje.
Mas era apenas um filme.
Às vezes, me leio e me acho totalmente idiota, pretencioso. E estou certo sobre isso.
Mas eu vejo o tempo e o que chamam de madurecimento e entendo como certas coisas requerem tempo para se entender e para se transpor. E fico feliz, pq hoje eu vejo o mundo diferente de como via. Sei que estou crescendo.
Seria muito pior se eu ainda concordasse em tudo com o que eu pensava.
Hoje eu vejo o mundo muito diferente. E sei que um dia verei com tal clareza que me sentirei totalmente confortável e feliz comigo mesmo sem precisar transparecer ou mesmo provar às pessoas quem eu sou.
Serei suficientemente suficiente.