segunda-feira, março 26, 2007

2006

2006 foi o ano para mim.

Aconteceram milhares de coisas. Perdi um grande amor, vivi uma super rápida relação com alguém que teria o perfil exato de quem eu gostaria para ser o amor da minha vida, a troquei por alguem 8 anos mais nova. Enfim, foi uma época turbulenta pra se dizer o mínimo.

Mas ao mesmo tempo, como diriam os chineses, crise também significa oportunidade.

Os 9 meses de Japão me ensinaram coisas que anos no Brasil não ensinariam. Eu realmente estava estagnado, estava transformado-me aos poucos em um ser totalmente repulsivo, sim repulsivo pra se dizer o mínimo.

Não tenho orgulho nenhum em relembrar meus últimos anos da minha graduação, o quanto acomodado estive. Principalmente, como tratei quem amava, sim fui um péssimo namorado, fui um péssimo ser humano, tenho realmente vergonha de lembrar o tipo de namorado que fui. Só posso resumir como, eu era um completo idiota.

Hoje eu vejo que além de estar acomodado, tudo piorou com o último ano e o medo de crescer. Eu achava que não estava preparado pra me tornar adulto, e realmente não o estava. Não me via casado, tendo filhos, trabalhando etc... mas na verdade, não acho que foi culpa minha, acho que é um processo natural. Hoje vejo que tais temas agora são mais que naturais, hoje eu vejo que não tenho nada a temer. Faz parte da vida, e hoje eu vejo que chegou a hora de encará-la.

Sim eu envelheci, aliás, amadureci, mudei de fase em minha vida, já não sinto mais aquela vontade de sair por aí feito um adolescente, ir pra balada, ter um monte de amigos pirralhos e zuar achando que a vida se resume a isso, bom na verdade, ainda gosto de fazer isso, mas não quero resumir de modo algum minha a isto. Minhas prioridades mudaram, tenho agora novas metas, uma vontade de ser um cidadão que pode mudar o mundo, em pensar em contruir uma família, em conhecer melhor o mundo. Minhas ambições mudaram. De qualquer modo de alguma maneira, não quero envelhecer, principalmente mentalmente, mas também não quero tentar ser adolescente para sempre. É uma dosagem difícil, porém, possível.

Jet Lag

Maldito Jet Lag.

Passei o final de semana todo meio estranho. Aliás, não sei se é realmente o jet lag ou se é o choque cultural, se foi fator psicológico mesmo.

Falando em choque cultural, semana retrasada passei uma semana em Tokio fazendo um curso da Jica. Lá pela primeira vez fiquei sabendo sobre a teoria da curva U e W em relação às pessoas que passam a viver no exterior.
Segundo essa teoria, basicamente existem 3 fases. A primeira chamada honey moon na qual o indivíduo maravilhado com o outro país vive um momento de euforia. A segunda fase na qual realmente ocorre o choque cultural, é um momento no qual o indivíduo realmente começa a entender a cultura do país e nesse momento as diferenças culturais. Nessa fase também que ocorre o homesick. E a terceira fase que é o processo de adaptação a cultura do país.

Ocorre um W porque no momento em que o indivíduo retorna ao próprio país de origem eventualmente pode ocorrer o mesmo fenômeno.

Desde que eu cheguei, não sei, não me sinto no lugar correto. Acho tudo diferente de quem eu sou. Parece de repente que tudo é muito interior pra mim, São Paulo, Campinas, tudo soa como country side, a cultura não me agrada, as novelas são extremamente irritantes... bom eu sei que é um processo. Não existe país perfeito nesse mundo, lugar perfeito, pessoas perfeitas muito menos.